Comprar um carro, sem dúvida, é uma decisão de grande impacto
financeiro. Por isso, é importante tomar alguns cuidados na hora da compra. Veja a seguir os 9 erros cometidos na compra de veículos e as dicas para evitá-los.
1 - Pensar apenas no valor da parcela do carro
Além das prestações, ter um carro significa ter diversos outros
gastos com a sua manutenção. Entre eles, incluem-se o combustível, o
IPVA, o seguro obrigatório DPVAT, o seguro particular, o licenciamento,
os gastos variáveis com estacionamento, manutenção e outros gastos
eventuais, como o valor da franquia do seguro, o conserto de alguma peça em caso de acidentes, o custo do pedágio em uma viagem e multas de trânsito.
Segundo uma simulação do consultor financeiro Mauro Calil, os
gastos com um veículo no valor de 30.000 reais em quatro anos somariam
83.821 reais, se fosse incluído o pagamento parcelado de 20.000 reais e
descontada uma entrada de 10.000 reais. Seria um total de 20.955,25
reais por ano, ou 1.746 reais por mês. Por serem custos significativos,
deixá-los de fora na hora de fazer o planejamento da compra pode trazer
sérios prejuízos ao orçamento.
2 - Ignorar a finalidade do carro
Para acertar neste ponto, é importante pensar no tipo de uso que o
veículo terá no dia a dia, se ele circulará em cidades grandes, se será
usado para carga, para viagens, se precisará de um motor mais potente,
ou se irá acomodar uma família. Para uma família grande, por exemplo, o
comprador deve buscar um carro que acomode todos de forma segura e que
não tenha comprometimento da suspensão e dos amortecedores, ao suportar
mais peso.
Checar quais são veículos mais vendidos na região onde o motorista
irá circular, ou conversar com proprietários que já possuem o carro
pretendido podem ser boas pistas para encontrar o veículo mais adequado.
3 - Ficar empolgado com a oportunidade
Se a intenção já era comprar determinado modelo e surgiu a promoção,
ótimo. Mas o comprador não deve se guiar pelo impulso da promoção, ou
por achar que aquela oportunidade é imperdível, como costumam dizer
alguns vendedores. Uma compra por impulso não dá espaço para comparações
e uma boa negociação. Se a promoção parecer realmente válida, peça ao
vendedor pelo menos um dia e cheque em outra concessionária ou pela
internet se aquela proposta realmente vale a pena.
Mesmo se a oportunidade for realmente boa, como, por exemplo, a
redução do IPI, não havendo condições de fazer a compra de determinado
carro, a empolgação não deve se sobrepor à razão. Às vezes, ao juntar o
dinheiro para comprar o carro à vista mais para frente, a economia com
os juros das prestações e com o possível desconto da compra à vista,
podem trazer mais economia do que a redução do IPI, além do conforto de
se saber que a compra não foi feita por impulso.
4 - Não contabilizar o custo total do financiamento
Se o carro for financiado, é essencial que o comprador observe o
Custo Efetivo Total (CET) da operação, que inclui todos os encargos
envolvidos nas operações de crédito. Ela inclui não só os juros, como os
impostos e outros custos do financiamento.
Dependendo do CET, o carro pode sair milhares de reais mais caro do
que pareceu à primeira vista. Por isso, fazer uma simulação do valor das
prestações incluindo o CET é fundamental.
Compare o CET da operação feita com o banco da montadora, que é o
financiamento normalmente oferecido nas concessionárias e o CET dos
bancos grandes. Em alguns poucos casos, a taxa de CET do banco grande
pode ser mais barata do que a taxa da montadora.
O financiamento em uma montadora pode ser muito mais barato que em
outra. Assim, na hora de escolher entre um carro de uma marca ou de
outra, vale a pena observar qual das montadoras oferece o menor CET.
5 - Não atentar para os pequenos detalhes
A aposentada Maria Helena comprou um carro no valor de 150.000 reais e
estava muito satisfeita até entrar no veículo pela primeira vez.
"Quando eu fui andar com o carro pela primeira vez, eu vi que ele não
tinha a alça de segurança no teto e eu sempre ando segurando essa alça
porque me sinto mais segura, mais confortável", diz. "Eu já pedi para
colocarem a alça, mas neste modelo não é possível. Agora estou decidindo
se compro outro, porque a alça me faz muita falta, principalmente para
entrar no carro. O problema é que vou perder bastante dinheiro por
vendê-lo agora", diz Maria Helena.
Muitos compradores deixam escapar este tipo de detalhe, que no dia a
dia faz uma enorme diferença. Por isso, é fundamental fazer um test
drive. Para fazer um teste mais apurado, o ideal é alugar um carro do
mesmo modelo, de preferência, o veículo mais velho disponível na
locadora. Será esse automóvel que mostrará os efeitos do tempo e do uso
sobre determinado modelo. E no caso de carros usados, algumas lojas
permitem a realização de um test drive prolongado. A rede de
concessionárias Itavema, por exemplo, permite que o interessado teste o
carro que quer comprar durante três dias antes de fechar o negócio.
6 - Deixar para comprar acessórios em lojas independentes
Se já há intenção de gastar dinheiro com os acessórios, vale mais a
pena comprar a versão do carro que já vem com os acessórios de fábrica,
do que comprar a versão mais básica e depois pagar pelos acessórios
separadamente na concessionária.
Para cinco modelos de carros de diferentes categorias, normalmente é
melhor comprar uma versão mais equipada do que comprar a versão mais
básica e adicionar os acessórios depois. O carro mais equipado de
fábrica já tem embutido o preço dos serviços de instalação, que ficariam
mais caros na instalação à parte. Além disso, ao comprar a versão do
carro mais equipada, é possível ter vantagens também na hora da revenda.
7 - Pecar pelo excesso de acessórios
Na hora de comprar o carro, é comum que os vendedores ofereçam uma
lista grande de opcionais. Fora os itens básicos, que podem ajudar a
conseguir um melhor preço na hora da revenda, equipamentos não
essenciais como frisos laterais, porta-objetos, aparelho de som com DVD e
ar condicionado digital podem encarecer muito o valor do carro. Em
casos extremos, podem inclusive desvalorizar ainda mais o modelo na
revenda, como é o caso dos acessórios instalados quando se faz "tuning"
do carro. O comprador precisa ficar atento para não exagerar nos
acessórios na empolgação da compra e acabar não tendo como honrar o
pagamento. Os opcionais podem representar gastos adicionais de mais de
10.000 reais.
8 - Vender o carro atual por um valor muito baixo
Uma forte depreciação pode ocorrer, por exemplo, se o carro for
vendido após um anúncio de que o modelo vai sair de linha, ou de que
outra versão daquele modelo ou de um similar será lançada. Quem
acompanha notícias de publicações especializadas pode conseguir se
antecipar a esses movimentos, antes que os rumores alcancem os grandes
veículos de comunicação.
Vender um carro com defeitos reduzindo o preço para que o futuro
proprietário o reforme pode ser um grande erro. A maior parte dos
compradores prefere que o veículo já esteja em ordem, pois assim pode
usufruir do carro de imediato e sem dores de cabeça. Fazer alguns
consertos pode ajudar a conseguir um preço mais alto e esta diferença
pode compensar os gastos.
9 - Não perceber que o carro usado foi maquiado
Comprar carros maquiados ao buscar carros usados ou seminovos, é um
erro que pode sair bem caro. Algumas das dicas podem ser: participar da
inspeção técnica do carro, pela qual todos os veículos passam antes da
revenda; avaliar se há alguma assimetria entre as portas, os
para-choques e o teto; e não comprar um veículo sem o manual, uma vez
que o odômetro do carro pode ter sido adulterado para apresentar uma
quilometragem menor, e apenas com o manual é possível checar se houve
algum tipo de alteração.
